A rede IoT ficou mais com cara de projeto piloto descontinuado.
Tem até uma carteira de um hospital americano que a galera no discord mostrou que movimenta uma tonelada de dados na rede IoT, ganha muito HNT.
Desculpa... não percebi...

Então, existe exemplos que funciona, mas foi descontinuado?
Ficou cara como!?
A galera postou exemplos, mas não é simplesmente “a rede IoT ficou cara demais e será desligada”. O que está ocorrendo em 2026 é uma mudança estratégica da Nova Labs / Helium, em concentrar capital, engenharia e desenvolvimento comercial no negócio que demonstrou maior tração econômica, Mobile/Wi-Fi offload, e tentar transferir a operação IoT para outra entidade.
A Helium IoT continua transportando tráfego real. Em setembro, havia cerca de 147 mil gateways conectados em 24 horas, clientes LPWAN pagando pelo tráfego e novos projetos entrando.
O problema é a relação entre receita gerada e recursos necessários para operar/desenvolver o ecossistema. O preço do tráfego IoT da Helium sempre foi extremamente baixo — essa era justamente uma das propostas de valor da rede. Já no HIP 86 se reconhecia explicitamente que o preço por pacote estava muito abaixo do valor econômico estimado do serviço.
Enquanto isso, manter a rede não significa apenas deixar os hotspots ligados. Existe infraestrutura central e trabalho contínuo envolvendo, entre outras coisas, routers regionais, oracles, software/protocolo, integração de clientes e engenharia. Após a retirada do
Proof-of-Coverage, parte da emissão que anteriormente remunerava PoC passou para o fundo operacional IoT justamente para sustentar essa infraestrutura.
Em contrapartida, o tráfego Mobile cresceu muito rapidamente. Após o HIP 149, em que os
rewardable bytes passaram de aproximadamente 24 mil GB/dia em junho de 2025 para 97 mil GB/dia em abril de 2026, cerca de 4× em menos de um ano.
Além disso, a Nova conseguiu contratos de carrier
offload. Segundo declarações da própria empresa à Fortune, no fim de 2025 ela fechou um acordo plurianual com uma grande operadora americana (s.m.j. AT&T), o que Nova interpreta como evidência de
product-market fit para Wi-Fi offload. A empresa passou então a concentrar esforços nesse negócio.
Resumindo:
IoT: enorme cobertura → tráfego de pouquíssimos bytes por sensor →
Data Credits muito baratos → receita relativamente pequena.
Mobile: Wi-Fi hotspots → gigabytes de dados → operadoras pagando pelo
offload → possibilidade de receita comercial muito maior.
Isso mudou completamente a relação receita por unidade de esforço de engenharia.
Em 6 de julho de 2026, o Proof-of-Coverage IoT foi encerrado. O HIP 149 determinou a aposentadoria do PoC tanto em Mobile quanto em IoT.
Portanto, o hotspot IoT atualmente não recebe mais HNT por
beacon/witness como dito anteriormente neste post. Ele só pode receber pela transferência efetiva de dados IoT elegíveis.
Esse é exatamente o motivo pelo qual hotspots que antes recebiam alguma coisa agora podem receber praticamente zero, mesmo permanecendo perfeitamente conectados.
Quanto ao descomissionamento, o
Advisory Council recomendou em 6 de agosto de 2026 que a Nova concentre seus recursos em Mobile/Wi-Fi offload e transfira IoT para outra entidade capaz de operá-la.
A Nova aceitou essa orientação e começou a procurar possíveis operadores. O objetivo declarado era concluir a transição antes do final de 2026. Em 2 de setembro havia vários candidatos sendo avaliados, mas nenhum acordo havia sido assinado.
O cenário pretendido, portanto, é: Helium/Nova → encontra operador → transfere a rede IoT → rede LoRaWAN continua sob outra entidade. O descomissionamento seria o plano de contingência, caso ninguém queira assumir a operação.
É uma diferença importante, pois até agora a Nova não decidiu simplesmente desligar a IoT. Ela decidiu que não quer continuar sendo sua operadora de longo prazo. Há uma razão econômica adicional, existe uma assimetria interessante no modelo. Os donos dos gateways pagaram pelo hardware, eletricidade e internet. Isso fez a Helium construir uma rede LoRaWAN gigantesca com CAPEX relativamente baixo para a empresa. Mas alguém ainda precisa pagar o OPEX central e o desenvolvimento. Se a quantidade de tráfego IoT comercial não gerar receita suficiente para justificar engenharia, infraestrutura, suporte e desenvolvimento comercial dedicados, a Nova tem um incentivo muito maior para colocar seus engenheiros no Mobile, onde cada hotspot pode transportar GB, enquanto um sensor LoRaWAN normalmente transmite bytes.
O custo de oportunidade de continuar investindo recursos da Nova em IoT ficou alto demais diante do crescimento do
Mobile/offload.E há uma evidência forte dessa direção no próprio HIP 149: a proposta aprovou aproximadamente 141 milhões de HNT adicionais em 36 meses para operações e crescimento, enquanto reorganizou os incentivos em torno da utilidade efetiva da rede.
Consequentemente, um gateway numa região sem sensores Helium pode ficar 24 horas online e ganhar literalmente zero. E isso cria um problema de retroalimentação: menos recompensa → pessoas desligam gateways → cobertura piora → rede fica menos interessante para clientes → ainda menos tráfego.
É provavelmente por isso que a Nova está tentando encontrar rapidamente um operador especializado em IoT antes que essa cobertura se deteriore.
O ponto mais interessante agora é quem são os possíveis compradores/operadores e quanto economicamente vale essa rede de ~147 mil
gateways para uma empresa LoRaWAN.