O Bitcoin esta em valores de 2024, e parece que pouco ou nada acontece neste mercado. Nem algo que faça subir, nem algo que faça descer.
Um artigo de opinião, lançou recentemente três motivos para este silencio (como é chamado pelo autor) esteja acontecer no Bitcoin:
https://cnnportugal.iol.pt/bitcoin/criptomoedas/bernardo-mota-veiga-o-silencio-sobre-a-bitcoin-e-ensurdecedor/20260713/6a54fbe5d34e511da0b2d07aAchei bem interessante essa abordagem porque tem um sentido logico interno, não só externo
A concentraçãoA aumento da concentração entre instituições, em especial o grande interesse gerado pelo governo dos EUA, pode gerar em alguns um afastamento. Além disso a concentração quer a nível privado ou publico, pode também fazer com que o Bitcoin perca a sua utilidade e por sua vez interesse.
É factual que há um movimento para transformar a bitcoin num produto essencialmente americano. Mas todos sabemos o que acontece nestes cenários: há sempre aqueles que se querem juntar, mas também há os que se querem afastar.
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A bitcoin apenas terá sucesso se circular o suficiente para gerar utilidade. Se estiver fechada no balanço de empresas ou de estados acumuladores, nunca vai alcançar a dimensão democrática que lhe deu origem, nem a adoção em escala que sustenta as valorizações de centenas de milhares de dólares que muitos vaticinaram.
A ganânciaA valorização significativa do Bitcoin, atrai cada vez mais investidores, que tem o único objetivo: ganhar muito mais do que ganham no mercado tradicional. Existe pouco ou nenhum interesse sobre o projeto e ideologia do Bitcoin. Logo, a primeira oportunidade de grandes ganhos ou de haver outros ativos que estejam a render mais, leva a que facilmente o dinheiro se mova de um lado para o outro.
Mas há uma ironia que poucos assumem. A mesma ganância que deu à bitcoin os seus primeiros milhões de crentes é hoje a que a abandona. Não é que o retalho tenha deixado de ser ganancioso. O retalho apenas descobriu que a bitcoin deixou de ser o sítio onde a ganância corre mais depressa. Quando um ativo se torna propriedade de tesourarias e de fundos cotados, a sua volatilidade amansa-se, e é precisamente a volatilidade que alimentava o sonho do life-changing money. Domesticámos a fera para a tornar apresentável às instituições, e as feras domesticadas já não fazem ninguém rico da noite para o dia.
SemicondutoresEstamos numa fase em que existe um novo setor que esta a ter ganhos incríveis, quase parecidos aos dos bitcoin no passado: os chips. As empresas ligadas aos setores dos chips, valorizaram em menos de 12 meses, mais de 500%. Isso pode motivar, a mover o dinheiro para onde esta a se ganhar mais num curto espaço de tempo. E por ser ligado as tecnologias, pode até ser mais fácil ideologicamente, até os mais ferrenhos adeptos do Bitcoin a querem aproveitar a boleia.
O dinheiro é finito no curto prazo. Os bitcoiners, que sempre argumentaram que uma bitcoin finita iria vencer a impressão de moeda infinita, podem estar agora a trocar estratégias de longo prazo por táticas de curto prazo para apanhar a boleia dos chips. Este setor apresenta hoje uma força que faz lembrar a bolha das dotcom do final dos anos 90, ou a própria bitcoin há meia dúzia de anos.
A somar a isto, existe uma ligação umbilical entre semicondutores (capacidade de computação) e criptomoedas. Sair da bitcoin para investir em chips não parece, por isso, uma traição ideológica, mas sim um movimento tático natural.
No final, o artigo termina de uma forma bem interessante:
O que ficará da bitcoin quando a barulheira dos semicondutores acabar é a grande questão que já muitos se colocam.
Afinal de contas, nenhum dos pressupostos tecnológicos que originou a bitcoin mudou. Mudaram, sim, as estratégias de quem lida com ela e as narrativas construídas em torno de um produto que continua a ser único. A bitcoin foi desenhada para um fim, mas o mercado acabou por lhe dar aplicações completamente diferentes da ideia original. Às vezes, isso eleva um ativo. Outras vezes, destrói-o.
O que vocês acham?