Eleições chegando, dados do TSE sendo liberados eu quis fazer uma comparação entre os doadores dos EUA e do Brasil. Enquanto nos EUA, temos grandes potencias em IA, Cripto e Apostas no brasil temos um contraste totalmente diferente.
O dinheiro que está entrando na política dos EUA vem de um pessoal que alguns anos não existia.
De acordo com o Public Citizen, as doações das indústrias de criptomoedas, tecnologia e apostas representaram pelo menos US$ 294 milhões dos gastos de empresas nas eleições americanas . Nos EUA, eles tem um negocio chamado Comitê de Ação Política ( PAC , na sigla em inglês). Que basicamente serve para receber dinheiro e apoiar os candidatos, como se fosse uma ONG aqui do Brasil que recebe dinheiro e distribui para os candidatos. Porém, esse dinheiro vem de empresas que querem realmente influenciar as eleições.
De modo geral existem dois tipos de PAC, uma tradicional e uma chamada de Super PAC. Resumidamente a PAC tradicional não pode receber dinheiro diretamente do caixa das empresas, mas o Super PAC sim. Só que com um detalhe, as Super PAC podem tanto fazer propaganda a favor como contra candidatos. Podem se aprofundar
sobre PACs aquiO próprio Musk, anunciou que pretende investir ou doar, entenda como quiser, pelo menos US$ 100 milhões até as eleições em novembro. Sergey Brin,cofundador do Google, também gastou mais de US$ 106 milhões, a Meta mais US$ 65 milhões.
Mas e as empresas de cripto? Eles tem a sua própria Super Pac chamada
Fairshake. Foi formada em 2023 e já nas eleições de 2024 gastaram mais de US$ 133 milhões com candidatos pró cripto,
seja democrata ou republicano. Nesse ano, o caixa da PAC está em US$ 193 milhões. Os principais doadores são a Ripple Labs, Coinbase e a Andreessen Horowitz. A Coinbase também apoia outra PAC, mas sem valores divulgados. Além disso, temos o Fundo de Capital Winklevoss (dos gêmeos) apoiando candidaturas Cripto com sua própria PAC.
Mas e o nosso brasilzão?
Aqui não temos PAC, aqui as coisas são "restritas". Apenas pessoas físicas podem doar para as campanhas desde 2015. Mas isso não significa que a empresa não possa "doar". Ela pode, só que ela fará o processo "por fora". A empresa pode gastar com lobby, relações institucionais, publicidade institucional, associações empresariais ou think tanks que são muito resumidamente um grande grupão de estudo que busca influenciar/estudar a sociedade. Exemplos: FGV e Instituto Mises Brasil.
Dando uma olhada nos
dados do TSE e destrinchando os 100 maiores doadores, temos:.
Separando por Partido, até o momento temos:
MDB - R$ 2.000.000
PL - R$ 1.300.000
PSD - R$ 750.000
PSDB - R$ 500.000
PT - R$ 250.000
O maior doador doou R$ 2 milhões de reais e tem envolvimento com a Lava Jato e já foi ministro da Transparência, acredito que o único que chama mais atenção. Dos 100 doadores, os maiores setores são Agro, Construção e Industria. É algo de se esperar, nos países de primeiro mundo temos empresas e pessoas ligados a tecnologia, já aqui os maiores são justamente do maior setor do país, o Agro.
Buscando envolvimento em cripto temos quase nada:
O ranking 91º Florian Bartunek,
disse que investe em cripto.. Abre aspas: "Por dever de ofício, curiosidade ou por não querer ficar com ‘dor de corno‘, sou investidor de Bitcoin"
O ranking 14º Armínio Fraga Neto, ex presidente do Banco Central já disse
"Bitcoin não vai a lugar algum".
E é apenas isso. Eu sinceramente esperava mais de todos esses cruzamentos, mas a nossa economia gira em commodities, um pouco ou quase nada de indústria. Então, é esse setor, e são os estados que mais concentram o Agro, que estão dominando as doações para as campanhas, pelo menos como pessoa física. Fico por aqui.